O que é Tesouro Selic e como funciona

Renda Fixa02 de setembro de 2026·Por Victor M.
Ilustração representando o Tesouro Selic e seu rendimento ao longo do tempo

Tesouro Selic é um título público de renda fixa: você empresta dinheiro para o Governo Federal e recebe de volta com juros que acompanham de perto a taxa Selic. É considerado um dos investimentos de menor risco do país: o risco de crédito é o do próprio Governo Federal, o mesmo que arrecada os impostos e emite a moeda.

Como funciona o Tesouro Selic

O dinheiro aplicado financia a dívida pública: o governo usa esse recurso e devolve o valor corrigido pela Selic, a taxa básica de juros definida pelo Copom. Quando a Selic sobe, o rendimento do título sobe junto; quando cai, o rendimento acompanha.

A compra acontece pela plataforma do Tesouro Direto, mas exige uma conta numa corretora de valores ou banco habilitado — é por ali que a operação passa. O valor mínimo gira em torno de 1% do preço de um título inteiro, o que costuma ficar abaixo de R$ 200, dependendo do dia.

Diferente do Tesouro Prefixado ou do Tesouro IPCA+, o preço do Tesouro Selic quase não oscila entre a compra e o vencimento. Resgatar antes do prazo final não costuma trazer perda, já que a maioria dos papéis públicos perde valor se vendida no momento errado — o Tesouro Selic tende a sofrer bem menos com esse efeito.

Esse comportamento estável dá ao Tesouro Selic um papel específico dentro de uma carteira: garantir que uma parte do dinheiro fique disponível, com alta liquidez e baixa volatilidade, sem prometer o crescimento rápido de um investimento de risco. Faz mais sentido pra reserva de emergência, pra um objetivo de curto ou médio prazo (viagem, entrada de um imóvel, troca de carro) ou simplesmente como porto seguro enquanto você decide onde alocar o restante da carteira.

Como investir no Tesouro Selic passo a passo

Abra conta numa corretora de valores; a maioria não cobra taxa de abertura nem manutenção. Transfira o valor que pretende investir pra essa conta. Dentro da plataforma da corretora, procure a seção de Tesouro Direto e escolha o título "Tesouro Selic", identificado por um ano de vencimento (ex: Tesouro Selic 2029). Informe o valor ou a quantidade de títulos e confirme a compra.

O dinheiro fica disponível pra resgate em qualquer dia útil, com a liquidação caindo na conta da corretora no mesmo dia ou no seguinte, dependendo do horário da operação — fim de semana e feriado não contam pra esse prazo. Pra quem precisa de dinheiro em qualquer dia, inclusive fim de semana, existe o Tesouro Reserva — título irmão, lançado em 2026, com resgate via Pix praticamente 24 horas por dia (fica indisponível só entre meia-noite e 1h, pra manutenção do sistema), detalhado no artigo sobre reserva de emergência.

Quanto rende o Tesouro Selic

Pega um aporte de R$ 400 por mês, sem valor inicial, numa taxa ilustrativa de 1% ao mês (perto de 12,7% ao ano):

PrazoValor brutoTotal investidoImposto de RendaValor após IR
1 ano (12 meses)R$ 5.073,00R$ 4.800,00R$ 56,74R$ 5.016,27
2 anos (24 meses)R$ 10.789,39R$ 9.600,00R$ 218,37R$ 10.571,01
5 anos (60 meses)R$ 32.667,87R$ 24.000,00R$ 1.342,84R$ 31.325,03

Cada aporte mensal conta como uma aplicação separada, com sua própria contagem de dias pra tabela regressiva — o aporte feito no mês 1 já pode estar na faixa de 15% quando você resgata no mês 60, mas o aporte do mês 59 ainda está na faixa de 22,5%, por exemplo. O Imposto de Renda da tabela acima já soma o resultado de todos os aportes calculados individualmente dessa forma, não uma alíquota única sobre o total. Os valores da coluna "Valor após IR" ainda não descontam a taxa de custódia da B3, explicada na próxima seção.

Em 5 anos, R$ 400 por mês no Tesouro Selic somam R$ 24 mil investidos e viram R$ 31.325,03 depois do Imposto de Renda — mais de R$ 7 mil de rendimento.

A taxa ilustrativa usada aqui é só referência. Hoje, a Selic está em 14,00% ao ano, e o Tesouro Selic rende perto disso. Troque pelos seus números na calculadora de juros compostos — ela mostra o valor bruto pra qualquer combinação de aporte, taxa e prazo, mas não desconta o Imposto de Renda automaticamente.

Quem já tem um valor parado e prefere aplicar de uma vez, sem aporte mensal, vê um resultado diferente. R$ 15 mil aplicados hoje, na mesma taxa ilustrativa de 1% ao mês:

PrazoValor brutoImposto de RendaValor após IR
1 ano (12 meses)R$ 16.902,38R$ 380,48 (20%)R$ 16.521,90
2 anos (24 meses)R$ 19.046,02R$ 708,05 (17,5%)R$ 18.337,97
5 anos (60 meses)R$ 27.250,45R$ 1.837,57 (15%)R$ 25.412,88

Repita essa conta com o seu valor e o seu prazo direto na calculadora.

Imposto de Renda e taxas no Tesouro Selic

O IR segue a mesma tabela regressiva de qualquer renda fixa — 22,5% até 180 dias, caindo até 15% acima de 720 dias — incidindo só sobre o rendimento, nunca sobre o valor aplicado. O artigo sobre CDB detalha essa tabela com mais exemplos, porque a regra é idêntica nos dois investimentos.

Existe ainda uma taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano, cobrada sobre o saldo em Tesouro Selic — mas isenta enquanto esse saldo fica até R$ 10 mil. No exemplo da tabela acima, o saldo só ultrapassa esse teto depois do segundo ano, então boa parte do período nem chega a pagar essa taxa; ela passa a incidir, proporcionalmente, só sobre o valor que exceder os R$ 10 mil.

Resgates antes de 30 dias também pagam IOF, seguindo uma tabela regressiva que começa em 96% do rendimento no primeiro dia e some completamente a partir do 30º dia. Depois de 30 dias, o IOF deixa de incidir por completo. Antes disso, ele é regressivo e incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor aplicado.

Tesouro Selic, CDB ou poupança: qual escolher

A poupança fica pra trás na comparação quase sempre — vale rever os números da reserva de emergência, que já mostram a diferença entre as opções de renda fixa com liquidez diária. Ela só ganha em isenção de IR, e mesmo assim raramente compensa o rendimento menor.

Entre Tesouro Selic e CDB, a garantia muda de natureza: o Tesouro tem o risco de crédito do Governo Federal, o CDB depende do banco emissor e do FGC cobrindo até R$ 250 mil por CPF, por instituição ou conglomerado financeiro, em caso de quebra. Também mudam a concentração de risco (o FGC tem teto por banco, o Tesouro não) e a liquidez exata — vale conferir se o CDB específico tem resgate em D+0 ou D+1 antes de comparar com o Tesouro Selic. Pra reserva de emergência, os dois costumam cumprir bem o papel, mas nenhum dos dois é estruturalmente idêntico ao outro só porque o rendimento fica parecido. Quem já resolveu essas variáveis e só quer a possibilidade de resgate em qualquer dia, sem esperar o próximo dia útil, é o único caso em que vale considerar trocar uma fatia pelo Tesouro Reserva mencionado acima.

Antes de escolher, vale rodar a conta com o valor e o prazo que você realmente tem: pegue a taxa que a sua corretora mostra pro Tesouro Selic hoje, simule na calculadora e compare o resultado líquido, depois do IR, com o de um CDB de liquidez diária equivalente. Nada impede usar os dois ao mesmo tempo — muita gente divide a reserva de emergência entre as duas opções, só pra não depender de uma corretora só caso ela mude as condições no futuro.

Perguntas frequentes

Tesouro Selic tem risco de perder dinheiro?

É considerado um dos investimentos de menor risco do país: o risco de crédito é o do próprio Governo Federal. O preço do Tesouro Selic tem baixa volatilidade, bem menor que a do Prefixado ou do IPCA+, então resgatar antes do vencimento raramente traz perda — mas a venda antecipada sempre acontece a preço de mercado, não a um valor garantido.

Qual a diferença entre Tesouro Selic e CDB?

O Tesouro Selic é emitido pelo Governo Federal; o CDB, por um banco, com garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF, por instituição ou conglomerado financeiro. Os dois rendem perto um do outro quando o CDB paga perto de 100% do CDI, e a escolha costuma pesar mais pra quem já usa uma corretora específica do que por uma vantagem clara de um sobre o outro. [Veja a comparação completa com o CDB](/blog/o-que-e-cdb).

Preciso de corretora pra investir no Tesouro Selic?

Sim, a compra é feita pelo site do Tesouro Direto, mas sempre através de uma corretora ou banco habilitado — não existe conta direta com o Tesouro Nacional para pessoa física. A maioria das corretoras não cobra taxa própria para isso.

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Escrito por Victor M. — programador e criador deste site, que gosta de juntar código e educação financeira. Saiba mais.

Este conteúdo é educacional e não constitui recomendação de investimento.

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